Folclore

A gente tá meio acostumado a dizer “Ah! Isso já virou folclore!”, quando uma coisa já começou a fazer parte de uma cultura, uma história, um costume, de hábitos de determinado grupo ou lugar. Mas nos esquecemos qual é o verdadeiro sentido de “Folclore”.

No livro “Cultura é Patrimônio – Um Guia”, de Lucia Lippi Oliveira, da editora FGV, eu encontrei diversas informações interessantes. Primeiramente, que compreende-se “Folclore”, o comportamento coletivo, tradicional, espontâneo, anônimo, racional, transmitido pela tradição oral.

O “Folclore” tomou forma com o início da República, libertação dos escravos, formação de uma burguesia e industrialização do Brasil. Daí, começaram manifestações com características supracitadas.

O negócio é que, com o correr da política, do sistema econômico, da ciência, começou a preocupação de uma cientifização do “Folclore”. Então a coleta passou a definir a ciência do “Folclore”.

Segundo Renata Ortiz (1992), o “Folclore” é comparável a uma fotografia:
“O Folclorista atua como um viajante que, por estar distante da realidade que se descortina diante de seus olhos, pode captá-la através da câmera que  registra e descreve os fragmentos das tradições populares”(1992:42)

Mário de Andrade, escritor do Movimento Modernista, criou uma nova conceituação de do que é “Folclore”, dizendo que é um processo de conhecimento.

A primeira cátedra de “Folclore” foi criada em 1939 na Escola Nascional de Música da Universidade do Brasil (atual Escola de Música da UFRJ). O “Folclore” não conseguiu, até então, entrar na área dos cientistas sociais, apesar das tentativas. O primeiro professor na Escola de Música, foi Luiz Heitor Corrêa de Azevedo.

Havia, naquele momento, uma preocupação com a identidade nacional, por parte dos folcloristas e um apoio da UNESCO. Naquela época (entre 1951 até 1963) ocorreram “folguedos”, que se davam em congressos periódicos, feitos para se discutir o “Folclore”. Ocorreu em diversas cidades, como Rio de Janeiro e Curitiba, por exemplo.

Daí, veio a fundação do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e da Biblioteca Amadeu Amaral (ligada ao Centro Nacional).

Segundo Maria Laura Cavalcante (2002):

“É preciso compreender o folclore e a cultura popular não como fatos prontos, que existem na realidade do mundo, mas como um campo de conhecimentos e uma tradição de estudos. Isso quer dizer que essas noções não estão dadas na natureza das coisas. Elas são construídas históricamente, dentro de um processo civilizatório, de acordo com diferentes paradigmas conceituais e, portanto, seu significado varia ao longo do tempo.”

Depois disso, o “Folclore” passou a cair nas redes das Ciências Sociais, com o passar dos acontecimentos no mundo. O conceito de “povo” passou a ser uma categoria não da Antropologia e sim da Política (Sociedade Civil). Cultura Popular e Processo de Dominação passaram a ser discutidos quanto as dinâmicas do “Folclore”, caindo nas graças dos antropólogos.

Observando por dentro do “Folclore”, atualmente, ocorre um “hibridismo”. Isso anula as divisões entre o culto, o popular e a cultura de massas. Enfim, tudo junto e misturado!

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